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Encontro da Ciência e da Religião 1. Encontro dos dois lados da pirâmide Mais cedo ou mais tarde a Ciência e a Religião se encontrarão no ápice da pirâmide. Quanto mais experiências científicas forem realizadas, mais baixo será o cume da pirâmide. Crédito: Ismar Estulano 2. Encontro das linhas paralelas. Em duas linhas paralelas, uma representando a Ciência e a outra a Religião, dias virão em que as duas linhas se encontrarão. O tempo da interseção será menor quanto mais experiências forem realizadas. Crédito: Ismar Estulano
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Diferentes formas de galáxias 1. Espiral Crédito: NASA 2. Elíptica Crédito: NASA 3. Irregular Crédito: NASA 4. Colisão da Via Láctea com Andrômeda Crédito: NASA
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Telescópio Espacial Hubble 1. Telescópio Espacial Hubble, visto do ônibus espacial atlantis durante a Missão de Serviço 4 (STS-125) Crédito: NASA (Ruffnax). 2. Hubble sendo lançado ao espaço pela Discovery, na missão STS-31 Crédito: NASA
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Parabéns
- HERÓIS DA TERCEIRA GUERRA MUNDIAL
Quando foi indagado que armas seriam usadas na terceira guerra mundial, Albert Einstein respondeu que não saberia dizer como seria travada, mas afirmou que a quarta guerra mundial teria como armas paus, pedras, flechas e tacapes. A observação do famoso cientista tem como fundamento o que aconteceu ao terminar a segunda guerra mundial, quando veio a público os horrores dos campos de extermínio de judeus, as barbaridades ocorridas nos campos de batalhas e as consequências do bombardeamento atômico das cidades de Hiroshima e Nagasaki. Guerras são conflitos armados entre dois ou mais países, ou entidades independentes, que acontecem por diferentes motivos, podendo ser citados desentendimentos religiosos, interesses políticos e econômicos, disputas territoriais e rivalidades étnicas. Guerras sempre existiram ao longo da historia, algumas sem registros detalhados, em razão de serem muito limitadas no tempo e no espaço, e outras tantas com apontamentos pormenorizados, retratando as crueldades ocorridas. Arqueólogos estudam vestígios de que o homem na pré-história já ia à guerra. Elas sempre se fizeram presentes na Antiguidade, Idade Média, Idade Moderna e Idade Contemporânea. A titulo de exemplos, indicando motivos, duração e vidas humanas ceifadas, cita-se: a) Guerras Greco-Persas (499-449 a.C.) – uma sequência de grandes batalhas da história grega. Foram iniciadas pela invasão da Grécia pelos persas e travadas em duas fases. As estimativas são imprecisas, por se tratar de hostilidades muito antigas; b) Guerras Púnicas (264-146 a.C.) – confronto entre romanos e cartaginenses pelo controle do Mar Mediterrâneo. Estima-se que entre 1 e 2 milhões de pessoas tenham morrido; c) Guerra dos Cem Anos (1337-1453) – um dos embates mais longos da história da humanidade, estendendo-se por 116 anos. Foi motivada pelas disputas de interesses entre duas dinastias. Especula-se que causou a morte de 2 a 3 milhões de pessoas; d) Guerra dos Trinta Ano (1618-1648) – enfrentamento causado pelas rivalidades religiosas que existiam na Europa da Idade Moderna. Morreram entre 5 e 8 milhões de pessoas; e) Guerras Napoleônicas (1803-1815) – conflito provocado pelo choque de interesses da França pós-revolução contra nações absolutistas. Estima-se que tenha resultado de 3 a 7 milhões de mortos; f) Rebelião Taiping (1850-1864) – guerra civil que aconteceu na China por questões políticas e religiosas. Presume-se que até 30 milhões de pessoas morreram em enfrentamentos; g) Guerra Civil Russa (1918-1921) – guerra iniciada com o intuito de derrubar os socialistas que tinham tomado o poder na Rússia. As mortes calculadas são de 10 milhões de pessoas; h) Guerra Sino-Japonesa (1937-1945) – confronto iniciado pela invasão do território chinês pelo Japão no intuito de transformá-lo em uma colônia. Causou a morte de cerca de 20 milhões de pessoas. Marcaram a humanidade e foram denominadas de Primeira Guerra Mundial (1914-1918) os conflitos motivados pelas rivalidades entre as potências europeias no começo do século XX, que causou a morte de 15 a 20 milhões de pessoas, e Segunda Guerra Mundial (1939-1945) – hostilidade que dividiu o mundo em Eixo contra Aliados e provocou a morte de 60 a 70 milhões de pessoas. Conhecida como Grande Guerra ou Guerra das Guerras até o inicio da Segunda Guerra Mundial, a Primeira Guerra Mundial realmente foi de extensão global. Centrada na Europa, o embate envolveu as grandes potências de todo o mundo em duas alianças: Aliados x Impérios Centrais (Alemanha e Áustria-Hungria). Contou com o uso de novas tecnologias (aviões, armas químicas e U-boots/submarinos), gerando consequências profundas. Foi de uma estupidez indescritível, ocorrendo na maior parte em “lutas de trincheiras”, na tentativa de conquistar pequenos terrenos de barro e lama. Nenhuma outra guerra mudou o mapa da Europa de forma tão dramática. Quatro impérios desapareceram após o fim da contenda (Alemão, Austro-Hungaro, Otomano e Russo), assim como quatro dinastias e aristocracias que as apoiavam. O “Tratado de Versalhes”, no final da guerra, foi humilhante para os alemães, servindo de combustível para o surgimento dos nazistas e a Segunda Guerra Mundial. Esta sim, uma serie de confrontos que passaram para a historia como os mais sangrentos ocorridos, extrapolando o espaço da Europa e envolvendo 72 países, com mais de 100 milhões de militares mobilizados. Desencadeada por um aloprado e psicopata (Hitler), que canalizou os sentimentos dos alemães, pregando o predomínio de uma raça (arianos) e necessidade de espaço vital justificando o expansionismo. Foi a mais letal de todas as guerras, com a absurda e criminosa intenção de exterminar toda uma raça (judeus) e eliminar ciganos, homossexuais e deficientes físicos e mentais. De um lado estavam Alemanha, Itália e Japão, contra o todos os países que se alinharam na represália, sob a liderança da Inglaterra, Estados Unidos, Rússia e França. A letalidade assombrosa contou com navios, submarinos, tanques, aviões, metralhadoras e canhões, encerrando com a detonação de bombas atômicas. Terminada a Segunda Guerra Mundial ocorreu um longo período de recuperação das nações envolvidas. Foi criada a ONU (Organização das Nações Unidas) com o objetivo de estimular a cooperação global e evitar futuros conflitos. Surgiu a “Guerra Fria”, com dois blocos ideológicos rivais (capitalistas e comunistas). Os EUA e a Rússia se armaram para um eventual confronto, que não passou de ameaças recíprocas, apesar de espasmos esporádicos de “quase guerra”. Então surgiu a 3a. Guerra Mundial com suas peculiaridades: vítimas – homens, mulheres e crianças; causadores/agressores - vírus de dimensões microscópicas, provocando uma doença apelidada de Covid-19. O inimigo invisível, agindo de maneira silenciosa, deixou todo mundo de joelhos. Os grandes países, tidos como líderes mundiais, apesar do arsenal existente não tinham com quem lutar. Inicialmente causou perplexidade e, na medida que expandia a pandemia, a conduta adotada foi inteiramente de defesa (isolamento social, usar máscaras e lavar as mãos com sabão ou usar álcool em gel). As controvérsias sobre o que fazer prejudicaram as tentativas de combate aos agressores. Uns poucos desinformados e sem noção da gravidade tentaram, sem sucesso, desacreditar tudo. Como consequência, os acontecimentos nefastos alastraram descontroladamente, provocando pesadelos horríveis. A economia mundial ficou em frangalhos e a fome mostrou sua cara. E os políticos? Bem, políticos são políticos, apenas políticos, nada mais do que políticos. Na sucessão de trapalhadas começaram a surgir os heróis da guerra. Diferentes de todos conflitos anteriores, na Terceira Guerra Mundial o objetivo não era matar pessoas e sim salvar vidas. Ao contrário de mobilizar as forças armadas para enfrentar o inimigo invisível, foi mobilizada toda uma categoria: os profissionais da saúde. Não aconteceu de determinados nomes serem reconhecidos como heróis, mas todos que passaram a integrar a área de saúde na frente de combate: médicos, enfermeiros, técnicos e auxiliares de enfermagem, fisioterapeutas, farmacêuticos, dentistas, nutricionistas, psicólogos, faxineiros, motoristas. Enfim, todas pessoas que foram para linha de frente. Nos bastidores, trabalhando no silêncio de laboratórios, com justiça foram também reconhecidos como verdadeiros heróis os cientistas, pesquisadores e todos que ajudaram na busca para encontrar armas que pudessem enfrentar o inimigo, sejam preventivas (vacinas), sejam curativas (medicamentos). No espaço, a Terceira Guerra Mundial atingiu todo planeta; no tempo não se sabe, pois ainda não terminou. As vidas ceifadas pelo inimigo contam-se aos milhões e as vidas salvas pelos heróis alcança quantitativo de bilhões. As consequências da guerra ainda são imprevisíveis, mas é certo que irá perdurar por muito tempo. De qualquer forma, é inquestionável que cientistas, pesquisadores e todos profissionais aglutinados na área da saúde são, indubitavelmente, os Heróis da Terceira Guerra Mundial. Ismar Estulano Garcia (advogado, professor universitário conferencista, escritor e editor)
- Mercado literário pós-pandemia
Editar livros no Brasil sempre foi difícil. Vários motivos podem ser elencados para tal constatação. Um dos principais é que no Brasil “livro não vende porque é caro e é caro porque não vende”. O mercado editorial sempre esteve nas mãos de grandes editoras, que disputam o mercado de maneira fraticida. Quando uma avança muito e não dá certo, é adquirida ou realiza fusão com outra, para sobreviver. São vários os critérios para dividir as editoras em grandes, médias e pequenas: faturamento, número de empregados, número de títulos publicados, etc. Preferimos adotar um critério pessoal: as grandes dominam o mercado nacional; as médias mordem ou tentam morder o grande mercado e as pequenas investem no mercado local ou regional. Quanto às livrarias, podem ser classificadas em grandes as que abrem lojas em diferentes localidades, formando uma rede de vendas; médias as que contam com matriz e poucas filiais e pequenas as que têm apenas uma loja. Grupos estrangeiros tentaram aqui estabelecer, mas a maioria desistiu e foi embora, considerando que o Brasil é muito complexo. Normalmente as editoras publicam considerando as especialidades: romances, livros técnicos, jurídicos, religiosos, didáticos, infantis, juvenis, ficção, interesse geral, etc. Algumas editoras crescem como conglomerados de livrarias, sufocando as pequenas editoras e livrarias. Livrarias tradicionais cerram as portas, o mesmo ocorrendo com pequenas editoras, porquanto não têm condições de concorrer no preço final do livro ao consumidor. As livrarias físicas tendem a diminuir, ou desaparecer, ao mesmo tempo que livros digitais e audiolivros aumentarão. Quando as possibilidades técnicas para editar livros eram um tanto rudimentares, em relação aos atuais recursos, era extremamente difícil publicar com tiragens reduzidas. Isto porque, para tornar o livro comerciável no preço ao consumidor, exigia uma tiragem maior: 1.000, 2.000 e 3.000. Tiragem inferior a 1.000 era arriscada, pois o valor de venda era muito alto. Atualmente não é assim, visto que os recursos técnicos permitem edição de pequenas tiragens (de 50 a 100 exemplares). É possível a edição até de menos, mas o custo do exemplar fica um tanto elevado. Uma tiragem para ficar em preço acessível deve ser entre 100 e 300 exemplares. Ainda será elevado para muitas pessoas, mas será possível em havendo negociação entre o autor com pequenas e, talvez, as médias editoras. Quanto às grandes nem pensar, pois não se interessam por tiragens pequenas. As tiragens das grandes editoras superam 5.000 exemplares. É incontestável que quem souber ler, escrever e tiver uma condição financeira razoável, poderá ser autor, praticando um dos requisitos que afirma: “toda pessoa para se considerar realizada e feliz deverá ter um filho, plantar uma arvore e escrever um livro”. Mesmo quem não tiver condições financeiras de arcar com a despesas de editoração poderá fazer venda antecipada de livros para parentes e amigos, que permitam cobrir as despesas, só recebendo quando entregar o livro. A realidade é que cada vez mais fica facilitada a possibilidade de autores em potencial publicas livros. O governo sempre incentivou a cultura em relação ao custo editorial, abrandando nos impostos. Agora querem taxar a publicação para gerar receita, o que agravaria ainda mais a situação do setor. Não é uma boa, pois o mercado de livros (Editoras, Distribuidoras e Livrarias) será impactado de forma arrasadora. A ideia foi abandonada porque a receita gerada seria pequena e os prejuízos para a cultura seriam catastróficos. Mas abandonou temporariamente, vez que as possibilidades continuam no radar. A informática deu um salto vertiginoso em todos segmentos sociais. No que se refere a livros o impacto foi enorme. Isso teve o mérito de ajudar democratizar a cultura. Antigamente, publicar um livro era coisa para uma pequena elite de intelectuais. Em se regredindo mais na historia, ler e escrever era para poucos. Hoje qualquer cidadão pode ser autor. O habito da leitura deve ser sempre incentivado. O ebook, ou livro digital, revolucionou o mercado. Na medida que o tempo passa, mais aumentará o número de adeptos da leitura digital, mas o livro físico não desaparecerá. Os romances, poesias e crônicas sempre existirão, e o prazer de ler folheando um livro permanecerá para sempre. Escrever um livro traduz uma satisfação pessoal indescritível: aumenta a autoestima; propicia maior visibilidade, prestigio e reconhecimento; enriquece o currículo; amplia na divulgação da marca individual e coletiva; constrói a autoridade no segmento que labora; ajuda sensivelmente na carreira profissional, além de outros benefícios. O que será o mundo cultural pós-pandemia ainda é uma incógnita. Mas já existem indicativos no ar. O livro digital aumentará, notadamente nas escolas. Mesmo tipificado como crime (Código Penal, art. 184), o terror das editoras, a pirataria em forma de cópias reprográficas nas escolas, principalmente de nível superior, tende a desaparecer com o tempo, considerando que muitas editoras formaram um ”grupo” especializado em livros digitais, fazendo convênios com faculdades, de maneira a facilitar ao aluno o acesso de livros digitalizados mediante uma senha fornecida pela escola. As escolas ganham oferecendo modernos recursos de pesquisas aos alunos; os alunos ganham pois não precisam tirar cópias ilegais de livros, ou comprar por preços acima de suas condições econômicas, ou ainda frequentar bibliotecas para pesquisas. As editoras ganham, pois recebem diretamente das faculdades conforme o número de acessos. Ler incentiva a difusão do conhecimento. Vários fatores aumentaram o número de publicações e de leitores: isolamento em casa, em razão do novo coronavírus; Clubes de Livros; Estante do Escritor; Estante Virtual; “sebos”, que antigamente só vendiam livros usados, passaram a vender seminovos e novos, agrupando-se em uma grande rede nacional; compras online; Mercado Livre; leitura digital; publicações independentes (livros sem selo de editora). O brasileiro está lendo mais, e novas publicações serão bem-vindas. É correto afirmar que as editoras e livrarias que pretendem sobreviver pós-pandemia terão que se reinventar. Os esclarecimentos feitos não são simples deduções, mas afirmações feitas com conhecimento de causa, pois vivo e convivo com o mercado livreiro há 36 anos, como sócio de uma pequena Editora (AB Editora). E pretendo continuar no mercado, com as adaptações necessárias, o que já está ocorrendo com a publicação de pequenas tiragens. Os indicativos permitem - concluir que haverá verdadeiro “céu de brigadeiro” para autores e leitores. Ao contrario, o tempo apresenta-se nublado com ameaça de tempestade para editoras e livrarias que não se adaptarem às tendências do mercado. Esta será realidade do mercado literário pós-pandemia. Ismar Estulano Garia (advogado, professor universitário conferencista, escritor e editor)
- COMO PUBLICAR LIVRO
Para publicar livro é necessário que ele esteja escrito e revisado. Escrever pensando na publicação resulta em divisão de tempo e energia mental, não sendo recomendável. As Grandes Editoras arcam com todas as despesas e pagam 10% ao autor, do preço de venda, de direitos autorais. Viver com a receita de direitos autorais é quase impossível, principalmente no Brasil. Tentar uma Grande Editora, enviando cópias para análise, pode resultar em desânimo e frustração. As Grandes Editoras têm excesso de procura, falta pessoal para analisar todos que as procuram e, como regra, não se interessam em publicar autores novos, preferindo não correr riscos. Somente os autores consagrados já são suficientes para a capacidade de produção, dispensando os neófitos. É extremamente difícil publicar por uma Grande Editora. Como aqui relato experiências pessoais, e não informações teóricas, o meu primeiro livro foi publicado por uma Grande Editora. Eis os fatos: nos cargos de Escrivão de Políci a, Perito Criminal e Delegado de Polícia, sempre procurava fazer as coisas corretas; na época não existiam muitas fontes de consultas; ao longo do tempo colecionei modelos de peças investigatórias e fui professor de Inquérito Policial em Academia de Polícia; o material didático foi transformado em Apostila; por sugestão de um amigo, resolvi transformar o material didático em livro; remeti cópias para Grandes Editoras; quatro anos se passaram sem nenhuma resposta; comentando com um autor renomado sobre as dificuldades de publicar livro, ele me pediu uma cópia do que havia escrito; leu e recomendou a publicação à Editora que publicava seus livros; a Editora entrou em contato comigo e foi celebrado o contrato de edição. Assim, publiquei “Procedimento Policial” na década de 1970, pela “Saraiva – Livreiros Editores”. O conteúdo era bom, pois alcançou a 14 a . edição. Se o livro já estiver pronto, deve decidir se vai publicar como autor independente ou por uma Editora. Existem vantagens e desvantagens entre uma e outra forma de publicação. Procurar uma Grande Editora pode ser inviável. Procurar uma Editora média já pode facilitar um pouco, mas o autor, normalmente, entra com alguma importância para custear as despesas. Como regra, nas Pequenas Editoras o autor arca com todas as despesas. A forma de pagamento é que pode apresentar mais facilidades de uma para outra. O autor iniciante deve ter muito cuidado ao ler informações de Editoras que dizem publicar gratuitamente. Isto não é verdade. Elas “enchem a bola” do novato, criando expectativas que não retratam a realidade. Seja publicação independente ou por uma Editora, é necessário levar em conta certos detalhes que envolvem a publicação de livros, conforme seguem. Contrato de edição de livro – Em hipótese alguma o aspirante a autor deverá dispensar o “Contrato de Edição de Livros”, constando cláusulas claras sobre direitos e deveres das partes envolvidas na transação, pouco importando seja uma Editora que apenas presta serviços de editoração ou Editora que se compromete a comercializar o livro. Última revisão – As Editoras sempre realizam a revisão automática, por aplicativo (concordância e grafia correta). É recomendável uma última revisão pelo autor, ou por pessoa competente por ele escolhida. As revisões feitas por Editoras ficam bem mais onerosas, porquanto elas terceirizam essa atividade. Projeto gráfico – É o plano inicial que define as características visuais da peça que será elaborada. Compreende: capa, contracapa, lombada, qualidade e tamanho do papel de impressão, fontes tipográficas, margens, espaçamento gráfico, imagens, posição de títulos e retículas, cores, tipo de acabamento e todas as plataformas de construção de um livro. O projeto gráfico ordena e coordena todas as fases de elaboração de um livro, de forma adequada para o seu desenvolvimento. Templates – Significa modelo ou base para criar algo. Existem templates para o tamanho do livro, margens, lombadas, capa, orelhas etc. Os templates ajudam, e muito, no desenvolvimento do livro. O Clube de Autores oferece valiosas informações sobre templates. Livros físicos e digitais – Os livros podem ser físicos (impressos) e digitais (ebooks). Criar um livro digital envolve um processo muito parecido com a publicação de um livro em formato impresso. Capa – Mais comuns são capa dura e brochura. Pode ser com mensagem, quando uma imagem faz conexão com o conteúdo, ou neutra quando sem mensagem. Os profissionais especialistas em criar capas são denominados “capistas”. Contracapa – É a capa de trás (parte posterior da capa), também denominada quarta capa. Normalmente traz uma mensagem, como marketing, da obra. Lombada ou dorso – É a parte em que as folhas são unidas através de costuras, colas ou grampos. Quando os livros estão empilhados, ou guardados em uma prateleira, a lombada é visível apenas na superfície que contém as informações sobre o livro. Orelhas – São prolongamentos da capa e contracapa (1 a . e 2 a .). Podem ser utilizadas como marcadores de paginas e contêm informações como dados biográficos do autor ou comentários sobre a obra. Folha de rosto – É a primeira folha ao abrir um livro. Contém informações sobre: título, autor, edição, local da edição, ano e Editora. Página técnica – O verso da página de rosto. Contém: nomes do capista, revisor, diagramador, editor e tradutor (se for o caso), reserva dos direitos autorais, ISBN, ficha catalográfica e dados da Editora. Sumário – O sumário organiza sistematicamente os conteúdos de um livro, na ordem em que aparece. Não confundir sumário com índice. Miolo – É o conjunto de folhas que compõem o corpo do livro. Contém uma parte pré-textual, a textual (principal) e pós-textual. Colofão – Último elemento impresso do livro, apresenta informações da gráfica: ano da impressão, papel utilizado, endereço e local. Dependendo da Editora, e decisão do autor, o livro poderá conter: página (em branco) para dedicatória (autografo), agradecimentos (homenagens), prefácio (ou Nota da Editora), siglas, epígrafe, prólogo, lista de abreviaturas, notas, posfácio, epílogo, índice alfabético, índice cronológico, anexo, glossário, apêndice e bibliografia (referências). O autor iniciante deverá conhecer, também, maiores detalhes sobre: a) público-alvo (crianças, jovens, mulheres, idosos, profissionais do Direito, profissionais da Saúde etc.); b) papel (os papéis mais usados são offset, pólen e reciclado; c) Tamanho do livro (São mais comuns 21 x 14 mm e 23x16mm. Os ebooks devem ser compatíveis com os leitores do mercado); d) número de páginas (conhecido o número de paginas digitadas em papel A4, o diagramador facilmente calcula quantas páginas o livro terá); e) Recursos visuais (os recursos visuais podem ser fotos, imagens e tabelas. É necessária referencia às fontes e, em se tratando de fotos, autorização do direito de imagem); f) em preto e branco ou coloridas; g) custo de publicação, h) editoração; i) diagramação; j) ISBN - International Standard Book Number, que é um padrão internacional que identifica os livros segundo o titulo, o autor, o país, a Editora e a edição. Publicidade – A publicidade será essencial para o sucesso do livro. Não deixe por conta da Editora, pois ela realiza a publicidade básica. O autor deverá ser o principal divulgador do livro. Lançamento – A decisão se haverá ou não lançamento será sempre do autor. Existem gastos, e as vendas no lançamento podem não cobrir as despesas. Mas, para satisfação pessoal do autor será sempre importante. Algumas editoras trabalham com a possibilidade de “vendas antecipadas”: a Editora apresenta o custo de cada exemplar; o autor promove a venda, de um ou mais exemplares, para parentes e amigos, antes da publicação; o comprador se compromete com a aquisição, mas somente efetuará o pagamento quando receber o livro. O custo pode ficar bem acessível e o autor nada desembolsará, porquanto a venda antecipada cobrirá todas as despesas da publicação, e pode até mesmo resultar em lucro. A publicação como autor independente pode até ficar mais barata para o autor, mas será muito trabalhosa. Se contratada uma Editora, ela fará tudo que for necessário para tornar realidade a pretensão, em razão de conhecer “como publicar um livro”.
- COMO ESCREVER UM LIVRO
Escrever livro não é fácil. Mas não é impossível. Trata-se de um trabalho semelhante a qualquer outra atividade laboral. Há uma jornada a ser percorrida até que seja colocado o ponto final na obra. Vários critérios devem ser seguidos. Inegavelmente a leitura de posts, orientando como escrever, é válida. Mas há que se ter cuidado, pois uma grande maioria são recados repetitivos, que nada esclarecem. A pesquisa sobre o tema é essencial, selecionando-se o que oferecer alguma contribuição para os autores iniciantes. Existem cursos que orientam o neófito, de eficácia duvidosa. Quando escrevi meu primeiro livro (1970) não existia qualquer fonte de orientação. Hoje a realidade é outra, certamente melhor para quem tem a pretensão de escrever. As presentes orientações têm por objetivo fornecer informações que podem ser úteis. Aqui relato minha experiência pessoal. Nada mais são de que situações vividas na prática. O escritor não precisa ser profundo conhecedor, mas é preciso que tenha conhecimentos razoáveis da língua portuguesa. Na minha visão, após publicar 18 livros, para escrever um livro são percorridas diversas fases, conforme abordagens que seguem. 1 a . Fase – Definição do gênero literário e titulo provisório do livro. O gênero literário deve ser definido previamente. A produção intelectual pode ser romance, crônica, ensaio, poesia, contos, fabulas, poemas, ficção, biografia, livro técnico e didático, etc. Esta primeira fase não oferece maiores dificuldades, pois o pretenso autor já terá definido sobre o que escrever. Assim como existe dom para esporte, cantar, representar, etc., também existe dom para escrever. Nem todos nascem com dom de escritor, razão de exigir maior disciplina para escrever um livro. Imaginação, criação, determinismo, disciplina e inspiração devem estar presentes em qualquer tentativa de produção literária. Mas algumas características são próprias de cada gênero. Como exemplos: não será poeta quem quer fazer poesia, e sim que tem inspiração para ser poeta; não será ficcionista quem quer escrever sobre ficção, e sim que tiver imaginação. O titulo do livro não oferece qualquer dificuldade, pois já haverá um para o livro a ser escrito. Se não tiver, adote um nome provisório. O titulo poderá ser mudado varias vezes, mas o que importa é que seja provisório. Pode até ser o titulo definitivo, se assim entender o autor quando terminar de escrever, porquanto um bom titulo poderá aparecer durante a elaboração do livro. 2 a . Fase – Escolha um tema. Todo livro deve ter inicio meio e fim, sob pena de ser apenas um amontoado de palavras. Qualquer produção literária deve ter um tema, ou historia, que deve ser bem planejada. A organização do conteúdo exige conhecimento de teoria literária, permitindo que escritor noção geral do começo, meio e fim. 3 a . Fase – Elaboração do sumário. Em geral sumário e índice são palavras sinônimas, com o mesmo significado de resumo, sinopse e síntese. Os livros mais antigos sempre usavam o termo índice. A Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) procurou regulamentar o assunto, esclarecendo que sumário será a enumeração das principais divisões, seções e outras partes de um livro, na mesma ordem em que a matéria nele se sucede. Desta forma, atualmente há concordância que sumário é a listagem com os assuntos de um livro separados pelos números de paginas que apresenta o seu conteúdo, procurando diferenciar de índice cronológico e índice alfabético remissivo. A melhor orientação que se pode dar a um escritor iniciante será elaborar um sumário provisório, com toda a divisão do livro que pretende escrever. Planejar o seu livro dá mais segurança na hora de escrever. O sumário contém o planejamento e estrutura do livro. É claro que, durante o desenvolvimento do conteúdo, o sumário pode e é recomendável ser alterado, de acordo com a evolução do que se escreve. Pode ser bastante sintético, como nos romances, ou mais analítico, como nos livros técnicos. Existem várias maneiras de dividir o sumário: títulos, capítulos, subtítulos, seções, etc. Na dúvida, recomenda-se ao interessado consultar os sumários de uns 10 livros de sua preferência, e adotar a divisão que julgar mais adequada. Um sumário bem elaborado significa planejamento e sistematização. 4 a . Fase – Defina a extensão do conteúdo. O conteúdo pode ser dilatado ou reduzido, a critério do autor. Não é correto estabelecer que irá escrever tudo em 100 ou 500 páginas (papel A-4, normalmente em letras tamanho 14, para facilitar a releitura constante). O razoável será entre 150 e 300 páginas, alterando quando julgar conveniente. 5 a . Fase – Leia bastante sobre o assunto que quer escrever. É essencial conhecer tudo sobre que quer escrever. Para tanto, o iniciante deverá ter em mãos livros e qualquer tipo de publicação referente ao tema escolhido. Se possível, ver mais de uma vez filmes sobre o assunto. Em tudo que consultar deverá anotar palavras chaves e comentários que entender pertinentes. Tais anotações serão uteis no futuro. 6 a . Fase – escreva, escreva e escreva. Escrever um livro do inicio ao fim exige muito esforço e dedicação. É preciso determinação para dar início e continuidade ao livro. O início e o fim da obra devem ser impactantes. Começar a escrever pode ser mais trabalhoso do que publicar um livro concluído. Essa dificuldade se deve ao alto nível de ansiedade dos escritores iniciantes, que começam o seu trabalho focando a atenção em todo o processo de escrita em vez de adotar um passo de cada vez. Não seja sonhador ou pessimista, mas apenas realista. É necessário ter comprometimento com a tarefa e fixar uma rotina a ser seguida, procurando alcançar um nível mínimo de produtividade. Quanto mais escrever, mais ideias novas surgirão. Seja determinado e disciplinado: estabeleça um número de palavras, ou páginas, que irá escrever todo dia, em uma semana ou em um mês. Recursos visuais são excelentes para tornar a leitura mais suave. Use linguagem simples, evitando redação rebuscada. Use sinônimos, evitando a repetição de uma mesma palavra. O bom uso dos sinais de pontuação permitem cadência na leitura. Ao escrever, pense no publico alvo. É necessário que a narrativa seja endereçada ao publico alvo, despertando a curiosidade do leitor. Com o computador fica mais fácil escrever, parar e continuar. Não haverá necessidade de rascunho, procedendo a revisão na medida que vai escrevendo, o que significa evolução do estilo. Quando julgar necessário tire férias, descansando, dormindo, vendo TV, saindo com amigos, praticando atividades físicas, viajando, etc. Isso por algum tempo, não muito longo porque poderá abandonar a tarefa iniciada. Construa os personagens do enredo detalhando seus aspectos físicos e psíquicos. Os personagens devem extravasar verdade, para chamar atenção dos leitores. Descreva de forma inteligente cenários e personagens, para que o leitor mentalize lugar e pessoas. Existem os momentos de criatividade: quando tomando banho; momentos antes de adormecer e ao acordar; quando estiver praticando caminhada; tomando sol; pescando etc. Sempre que tiver uma ideia, anote em palavras chaves. Sobre o melhor momento de escrever, depende de cada pessoa: uns preferem a noite e outros em certos horários do dia. No meu caso sempre preferi as madrugadas, em razão do silêncio e o corpo e mente descansados. Tempo é questão de prioridade. Alegar falta de tempo para escrever não é justificava. Especificamente no período da pandemia, existiu excesso de tempo para ler e escrever alguma coisa. Pode não ser uma boa ideia tentar escrever de modo continuo, do início ao fim: um bom sumário permite que o escritor preencha, de forma descontinua, o conteúdo completo. Lembrar que, cientificamente, já é aceito que o cérebro não dorme. Se a pessoa adormece pensando em um problema, o cérebro continuará acordado e trabalhando. Ao despertar a pessoa poderá ter a solução da sua dúvida. A sensação de dever cumprido ao colocar um ponto no livro é indescritível. 7 a . Fase – Escolha um colaborador. Colaborador não significa coautor ou parceiro na produção da obra. Deve ser um companheiro(a), pessoa que saiba o que você está escrevendo. Pode ser esposa(o), filho(a), namorado(a), amigo(a), etc. Não deve ser um profissional, e sim uma pessoa com quem poderá discutir duvidas, trocar ideias e fazer pequenas revisões de partes já produzidas. O colaborador não terá função de elogiar, e sim criticar, identificando pontos fracos no livro e que possam ser melhorados. Muitos escritores pulam essa fase, fazendo eles próprios o trabalho. 8 a . Fase – Revisão. O autor deverá efetuar revisões durante toda a produção do conteúdo. Quando concluir, deverá ainda, fazer várias revisões. Enxugue o texto, procurando dizer mais com menos palavras, buscando sempre melhorar frases que ficaram confusas. Não traduz realidade ligar computador e redigir um texto perfeito. É necessária revisão. Será um bom critério ler e reler diariamente pelo menos parte do escrito, nem que seja para mudar uma palavra por outra sinônima. Pedir sempre ao colaborador, ou outra pessoa, para ler e revisar. Existem aplicativos que realizam a revisão gramatical e concordância verbal, não ficando dispensado um revisor. Somente depois da revisão do autor é que deverá ser procurado um revisor competente, mesmo que não seja profissional. Um freelancer poderá sair mais barato. A revisão por um profissional sempre será útil. As revisões podem ser superficiais, razoáveis e profundas. A revisão profunda exige muito conhecimento da língua portuguesas, realizadas principalmente por detentores de cursos de letras. A revisão por profissionais fica caríssima. Entre os profissionais de jornalismo encontram-se excelentes revisores. Vários são os motivos que levam alguém a escrever um livro. Se o motivo for financeiro é melhor esquecer. No Brasil é quase impossível viver de direitos autorais. O único nome que destaca exclusivamente como escritor é Paulo Coelho, com inúmeras obras publicadas. Alguns escritores até que se defendem, obtendo uma receita complementar. O correto será ter outra profissão, ou atividade, que proporcione receita necessária para o dia a dia. É elogiável a vontade de deixar alguma produção literária para a posteridade. Se a motivação for exclusivamente vaidade, também não funciona. Se o motivo for idealismo, ou autorrealização, seja bem vindo. Concluído e revisado o livro, a etapa seguinte será a publicação, que pode oferecer mais dificuldades do que escrever. De qualquer forma, só pode ser publicado aquilo que já está escrito, razão pela qual são úteis informações sobre como escrever um livro. Ismar Estulano Garcia (advogado, professor universitário conferencista, escritor e editor)








