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ESPÍRITO “DOM HELDER CÂMARA” DITA LIVRO



POLÊMICA –  A matéria é antiga, mas continua gerando polêmica. Inegavelmente o livro citado está causando, e continuará a causar, muita polêmica. Vários segmentos religiosos não aceitam vida após a morte, reencarnação e  comunicação entre vivos e mortos. Também existem os céticos e os que, honestamente, não acreditam na existência de outra vida. A verdade é que o livro causou muita surpresa no meio espírita e grande perplexidade entre os católicos. Acreditando em Psicografia, ou não, vale a pena ler.

                                                     

QUEM FOI DOM HERLDER CÂMARA – Considerando que os jovens não sabem quem foi Dom Helder, são oportunas algumas referências sobre sua pessoa. Décimo primeiro de uma família de treze irmãos, filho de João Eduardo Torres Câmara (jornalista) e de Adelaide Pessoa Câmara (professora primária), nasceu em Fortaleza (CE) em 7 de fevereiro de 1909. Na pia batismal recebeu o nome de Helder Pessoa Câmara. Desde cedo manifestou vocação para o sacerdócio. Aos 14 anos ingressou no Seminário  Diocesano, em Fortaleza. Nesta instituição cursou o ginásio e concluiu os estudos de Filosofia e Teologia. Foi ordenado  padre no dia 15 de agosto de 1931, aos 22 anos de idade, com autorização especial da Santa Sé por não possuir a idade mínima exigida.

Foi consagrado bispo em 20 de abril de 1952. Em 12 de março de 1964 foi nomeado Arcebispo de Olinda e Recife. Em razão de sua postura na defesa dos pobres e injustiçados, foi acusado de “comunista” e chamado de “Arcebispo Vermelho” pelo novo governo militar. Tornou-se líder contra o autoritarismo e pelos direitos humanos, tendo organizado mais de 500 comunidades eclesiais de base. Orador eloquente, comunicador carismático e pregador de gestos marcantes, arrebatava multidões por onde passava. Com o objetivo de silenciá-lo, foi-he negado acesso aos meios de comunicação e a imprensa proibida de fazer qualquer referência a ele. No entanto, sua figura pública adquiria importância cada vez maior. Passou a denunciar no exterior os crimes praticados pela ditadura militar brasileira, recebendo ampla divulgação na imprensa internacional. Foi o único brasileiro indicado 4 vezes para o Prêmio Nobel da Paz. Em 1970 o general de plantão como Presidente da República instruiu pessoalmente o embaixador brasileiro na Noruega para tentar impedir que este prêmio lhe fosse concedido. Foi fundador da CNBB (Conferencia Nacional dos Bispos do Brasil) que, ao lado da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) e ABI (Associação Brasileira de Imprensa) formou um escudo de resistência à ditadura militar que se implantou no Brasil a partir de 1964. Franzino fisicamente mas gigante na estatura moral e ética, foi a voz que nunca calou, denunciando ao mundo inteiro a violação dos direitos humanos no Brasil, praticada pelos governos dos generais. Falava várias línguas e foi amigo pessoal dos Papas Paulo VI e Joao Paulo II.  Recebeu dezenas de títulos no Brasil e no exterior, notadamente de Doutor Honoris Causa (32), concedidos por diversas Univerdades. Recebeu o Prêmio Martin Luther King, nos Estados Unidos e o Prêmio Popular da Paz, na Noruega, além de diversos outros prêmios internacionais. Escreveu 13 e sobre ele foram escritos 11 livros e produzidos 2 filmes. Em fevereiro de 2008 foi encaminhado à Congregação para Causa dos Santos, no Vaticano, o pedido de beatificação de Dom Helder pela Comissão Nacional de Presbíteros, vinculada à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). Dom Helder aposentou-se em 1985. Sua atividade política, social e religiosa foi reconhecida no mundo inteiro e a luta desenvolvida foi de grande importância para que o Brasil retornasse à Democracia. Faleceu em 27 de agosto de 1999, em Recife (PE), aos 90 anos.


PSICOGRAFIA – O livro ditado pelo Espírito Dom Helder Câmara foi psicografado pelo médium Carlos Pereira, da Sociedade Espírita Ermance Dufaux, de Belo Horizonte, Minas Gerais. Ao que consta o Espírito Dom Helder Câmara, ao deixar o corpo físico, foi recebido no “seio do Senhor”, reencontrando amigos e parentes, continuando seu trabalho iniciado no plano material. Prosseguiu com os mesmos ideais de padre, pensando como padre e agindo como padre, desenvolvendo com alegria sua rotina de visitas a igrejas, hospitais, conventos, seminários e onde existam pobres e injustiçados. Após algum tempo pediu, e foi autorizado, a comunicar-se com os irmãos da Terra para expressar que a vida continua. Inicialmente teve dificuldades, pois não sabia como se adaptar ao médium para poder escrever. Tentou, e ainda tenta, outros médiuns, mas ocorreu uma aproximação muito grande com Carlos Pereira. Em razão da afinidade, houve sintonia entre o seu pensamento e o pensamento do médium, facilitando muito o trabalho em razão de criar uma mesma forma de expressão.


O LIVRO – Com 290 páginas, embora não seja recente, foi lançado no mercado cultural de livros mediúnicos, com o titulo de Novas Utopias. Utopia é um nome criado pelo humanista inglês Thomas More, significando fruto de imaginação, de uma fantasia ou sonho de um ideal. Utopia pretende descrever uma sociedade perfeita, em que todos são iguais, não havendo injustiças sociais e onde os políticos direcionam suas atividades no sentido de alcançar o bem estar da coletividade. O livro foi dividido em 52 Capítulos, curtos na extensão mas longos no conteúdo. Cada Capítulo aborda diferentes temas, valendo citar, entre outros: Ação de amor, Confiança em Deus, O valor do dinheiro, Desesperança, O valor do tempo, Destino, Paciência, A busca da verdade, A força do perdão, Após a morte, Presença de Deus, A conquista da paz, Amor Fraternal, Pela paz ambiental,  O Mundo das drogas, Revolução espiritual, Estado de paz e Dias melhores. O livro apresenta um conjunto de reflexões de um padre depois da morte.  Os temas abordados são próprios do pensamento católico. Considerando que, na essência, inexistem diferenças nas diferentes religiões, são temas que valem para toda humanidade, independentemente da crença religiosa de cada um. Inicialmente lançado pela Editora Dufaux, atualmente é comercializado pela Editora Luminus. É importante destacar que os direitos autorais do livro foram divididos em partes iguais, destinadas à Sociedade Espírita Ermance Dufaux e ao Instituto Dom Helder Câmara.


AUTENTICIDADE – Como não poderia deixar de ser, a autenticidade do livro foi, e será, motivo de questionamentos. Manifestações insuspeitas apontam no sentido do livro ter sido, realmente, ditado pelo Espírito Dom Helder Câmara. O monge beneditino e teólogo Marcelo Barros, autor de 30 livros, que foi secretário de Dom Helder para a relação ecumênica com as igrejas cristãs e as outras religiões, de 1966 a 1975, fez apresentação do livro, reconhecendo a autenticidade do comunicante pela originalidade de suas ideias e pela linguagem desenvolvida. O filósofo e teólogo Inácio Strieder prefaciou o livro, avalizando a autenticidade, assim como a historiadora e pesquisadora Jordana Gonçalves Leão, ambos ligados à Igreja Católica.  Todavia, somente o Exame Grafotécnico (comparação da escrita de Dom Helder em vida com o grafismo das mensagens psicografadas) poderá atestar cientificamente a autenticidade, de maneira a  ficar demonstrada a existência espiritual, a vida depois da morte e a possibilidade da comunicação entre os dois mundos.

 


                       Ismar Estulano Garia 

(advogado, professor universitário   

 conferencista, escritor e editor)